Fique ligado

Santo Tirso

Casa Reis. Há 158 anos no corte e costura em Santo Tirso

Jornal do Ave

Publicado

em

Publicidade

Uma doença pulmonar, um casamento e a compra de um negócio familiar traduziram-se numa história de 158 anos que faz da Casa Reis, em Santo Tirso, segundo o proprietário, a mais antiga retrosaria do Norte de Portugal.

Fundada em 1860 por Narciso José Teixeira com o nome de “Tem Tudo”, a casa ganhou uma nova dimensão assim que António José dos Reis, que se mudara do Porto para Santo Tirso a conselho médico para “receber os ares da aldeia devido a doença pulmonar”, conheceu e casou com a filha do proprietário da retrosaria.

E se a venda de fazenda, miudezas, decorações e as “amostras” já a faziam centro de atenção dos concelhos vizinhos de Santo Tirso, a ousadia do novo dono tornou a Casa Reis alvo de mais curiosidade, sendo por ação deste que se viu por lá “hasteada a primeira bandeira de Portugal republicana”, recordou Magno Braga.

O ardor com que defendia a causa republicana causou problemas a António José dos Reis que, aquando da contrarrevolução que instaurou durante 25 dias a Monarquia do Norte, “teve de fugir dois meses para o Porto”, e noutra ocasião “escondeu-se durante uma semana no sótão do estabelecimento”, por ser procurado devido às suas ideias políticas.

__________________

Mais tarde, vereador da Câmara de Santo Tirso, mesário da Santa Casa de Misericórdia local, presidente da Associação Comercial e do Montepio Tirsense e sócio benemérito dos Bombeiros de Santo Tirso, o fundador da Casa Reis manteve-se ligado à cidade ao mesmo tempo que continuava a investir no negócio.

“Chegaram a ser 12 funcionários, a casa estava aberta até domingo ao meio-dia”, disse Magno Braga, recordando um tempo em que o estabelecimento “democratizou” o comércio local e foi, inclusive, responsável pela “instalação da primeira bomba de gasolina em Santo Tirso”.

A “bomba do Reis”, como ficou conhecida, manteve-se “defronte da casa entre 1946 e 1989”, salientou o gerente, ao mesmo tempo que recordou que em 1972 “era necessário tirar senha para ser atendido na loja, tantos eram os clientes”.

“Nesse tempo vendiam-se 100 fatos de homem por dia, hoje são dois por ano”, disse Magno Braga, comparando com a época em que “havia 56 alfaiates no concelho”, dos quais, atualmente, apenas resta um.

__________________

Deocleciano de Oliveira Branco e José Reis Teixeira sucederam ao fundador, falecido com 67 anos, vítima de ataque cardíaco.

E se episódios como a “bomba do Reis” contribuíram para o crescimento do negócio e de Santo Tirso, as mudanças operadas no país tiveram um peso oposto, fazendo-a perder clientes, como foi o caso da criação do concelho da Trofa, em 1998.

“O negócio diminuiu 20% assim que a Trofa se tornou concelho”, frisou o responsável, ainda recordado de quem “aproveitava uma ida à câmara para fazer compras na Casa Reis”.

Com a Autoestrada 3 (A3), casas de chineses e grandes superfícies comerciais “a rivalizar e a ameaçar o futuro”, ainda assim Magno Braga mantém hábitos de há dois séculos, sendo possível apreciar parte da mercadoria no exterior do estabelecimento, ao lado de um engraxador.

__________________

O futuro, disse, passa “pela decoração de interiores e pelos móveis”, pois a “mais velha retrosaria do Norte de Portugal” viu as vendas dos materiais que lhe deram nome “caírem de 40% para 10%” do volume de negócios.

Ainda assim, para os saudosistas, na Casa Reis continua a ser possível encontrar tecidos vendidos há 150 anos, como a flanela de xadrez, o serrubeco ou a chita para os vestidos de senhora.

__________________

1ª pagina edição Papel

Siga-nos

Vê-nos no Tik Tok

Farmácia serviço Santo Tirso

Farmácia serviço Famalicão

Pode ler também...