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Memórias e Histórias do Vale do Ave | Monte Córdova: um antigo centro de vida e comércio

Jornal do Ave

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No cimo do monte de Nossa Senhora da Assunção ergue-se Monte Córdova, uma das freguesias mais afastadas do centro do atual concelho de Santo Tirso. Apesar dessa aparente distância geográfica, este território desempenhou, desde muito cedo, um papel de grande relevância na história da região.

As Memórias Paroquiais de 1758 revelam bem a importância que Monte Córdova tinha no século XVIII. Nessa altura era uma das poucas localidades do território com mais de 300 fogos, sendo mesmo a única a atingir essa dimensão populacional, o que demonstra claramente que se tratava de um espaço dinâmico e afastado do marasmo que caracterizava muitas outras comunidades rurais da época.

Esse número elevado de habitações correspondia naturalmente a uma população significativa. Calcula-se que Monte Córdova tivesse cerca de mil habitantes, um número expressivo quando comparado com localidades vizinhas. A título de exemplo, Reguenga contava apenas com cerca de 365 habitantes, Roriz aproximava-se dos 700 e até a própria localidade de Santo Tirso rondava apenas os 800 habitantes.

Esta vitalidade refletia-se também na sua atividade económica. Monte Córdova era, juntamente com Santo Tirso, uma das poucas localidades da região onde existia feira, um verdadeiro motor da vida económica e social. As feiras eram muito mais do que simples locais de compra e venda de produtos: eram espaços de encontro, de convívio e até de debate político, onde se discutiam os rumos da comunidade e os desafios do território.

A feira realizava-se anualmente entre os dias 5 e 8 de setembro, junto à capela de Nossa Senhora das Valinhas, coincidindo com as festividades religiosas. Durante esses dias comercializavam-se diversas mercadorias e, como era habitual na época, eram cobrados os respetivos impostos sobre as vendas.

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Do ponto de vista administrativo, importa recordar que este território não pertencia originalmente ao atual concelho de Santo Tirso. Monte Córdova integrava o concelho de Riba de Ave, cuja sede se localizava em Guimarei. Este concelho tinha recebido o seu primeiro foral em 1307, sendo posteriormente renovado em 1515. Contudo, parte do território estava também sob a influência do Couto de Santo Tirso, um dos mais importantes coutos da região.

A dimensão religiosa de Monte Córdova era igualmente notável. A freguesia possuía sete ermidas: Santa Luzia, Senhora das Valinhas, Senhor Jesus do Padrão, Senhora do Socorro, Santo António, São Francisco e São João Baptista. A ermida de Santo António encontrava-se sob responsabilidade de um particular, enquanto as restantes dependiam da administração do pároco.

A existência de tantos espaços de culto revela não apenas uma intensa vida religiosa, mas também uma certa prosperidade económica. Na realidade, a manutenção destas ermidas implicava investimentos e recursos que apenas comunidades relativamente prósperas conseguiam assegurar.

Curiosamente, apesar desta forte presença religiosa, Monte Córdova contava apenas com duas irmandades: a Irmandade do Santíssimo Sacramento e a Irmandade do Rosário.

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Hoje, Monte Córdova continua a repousar tranquilamente no alto do monte de Nossa Senhora da Assunção, preservando a sua paisagem bucólica. Contudo, as Memórias Paroquiais de 1758 recordam-nos que este lugar foi, em tempos, um dos centros mais dinâmicos da região, marcado por uma intensa vida económica, religiosa e social

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