Fique ligado

Trofa

Metro para a Trofa, já!

Já passaram quase 25 anos desde que nós, trofenses, fomos alvo do maior embuste protagonizado pelo estado central, na curta história do nosso concelho. Até então, o concelho da Trofa era servido por duas linhas de comboio distintas. Uma, que ainda mantemos, liga Porto e Braga. A outra, conhecida como “via estreita”, ligava a Cidade […]

Jornal do Ave

Publicado

em

Publicidade

Já passaram quase 25 anos desde que nós, trofenses, fomos alvo do maior embuste protagonizado pelo estado central, na curta história do nosso concelho.

Até então, o concelho da Trofa era servido por duas linhas de comboio distintas. Uma, que ainda mantemos, liga Porto e Braga. A outra, conhecida como “via estreita”, ligava a Cidade Berço à estação da Trindade, no centro da Invicta, hoje reconvertida em estação do mesmo metro que nos prometeram, mas que nunca chegou ao nosso concelho.

Quando a via estreita foi desactivada, em 2002, o estado português assumiu um compromisso com todos os trofenses: que a Trofa estaria inserida na primeira fase de expansão da Metro do Porto. Mas a palavra dada não foi honrada e os trofenses, que pagam impostos e são portugueses de pleno direito como todos os restantes, foram enganados, assaltados e desrespeitados pelo centralismo cego que nos vê como cidadãos de segunda, eleitoralmente irrelevantes.

Todos saímos prejudicados. Mas ninguém perdeu tanto como a população do Muro, que tinha naquele comboio uma ligação directa ao centro do Porto, essencial para muitos murenses que trabalhavam e trabalham naquela cidade. Mas não apenas para eles. O isolamento que se acentuou com esta decisão prejudicou, em toda a linha, os habitantes da freguesia.

Publicidade

Durante alguns anos, tentamos lutar com as armas que tínhamos à nossa disposição.

Protestos, manifestações, abaixo-assinados e muitos boicotes eleitorais na freguesia do Muro. Não nos valeu de nada. Melhor: valeu-nos um remendo chamado Metrobus que, alegadamente, há-de chegar à Trofa. Um dia destes. Se correr bem.

Quase 25 anos volvidos, a luta esmoreceu. Fomos vencidos pelo cansaço, num país assente num sistema político que privilegia os grandes centros urbanos e trata com desdém as localidades mais pequenas. Nos últimos anos, o Porto viu os Aliados e a Praça da Galiza serem esburacadas para a construção da Linha Rosa da Metro do Porto. Não é, portanto, por falta de dinheiro que o metro não chega à Trofa. É por falta de vontade política. E de nada nos têm valido os deputados trofenses que ali chegaram, seja Joana Lima, seja Alberto Fonseca, seja Sofia Matos. Os seus partidos não estão interessados em resolver o nosso problema.

Manifestações e boicotes proporcionam-nos 20 segundos de telejornal. Dá visibilidade ao problema, mas não resolve nada. Se queremos este problema resolvido, de uma vez por todas, precisamos de organização. Uma organização que não esteja condicionada à vontade dos partidos, sobretudo PS e PSD, que tudo prometeram e nada fizeram. Existem muitas formas de luta e de pressão popular. Mas nada será verdadeiramente útil à nossa causa comum se não houver uma mobilização forte e convicta, que mostre ao país e aos senhores de Lisboa que o tempo da conversa de chacha terminou.

Por vezes esquecemo-nos que foi o comboio que fez crescer a Trofa. E que, em tempos, a nossa estação era uma das mais importantes do norte do país. Hoje temos uma nova estação, num edifício moderno e vistoso, mas o que muitos ignoram é que passamos de ser uma estação com uma infraestrutura capaz de gerir tráfego e de efectuar manobras de cruzamento ou ultrapassagem, para termos um apeadeiro bonito, que apenas permite entrada e saída de passageiros. E tudo sem um único sobressalto cívico ou político digno de registo.

Quando é que nós, trofenses, o povo que invadiu o Largo da Assembleia da República e trouxe para casa o concelho, se tornou tão conformado?

Ainda teremos dentro de nós a mesma chama de outrora?

Quero acreditar que sim.

*
P.S: Escrevi este texto antes de conhecer as notícias da passada semana, que não me fizeram mudar uma vírgula no texto original. São 25 anos de estudos, garantias, projectos, levantamentos, concursos faz-de-conta, lançamentos, certezas e votações parlamentares por unanimidade que produziram um absoluto nada. No início era o metro, agora é parte metro, parte metrobus. Daqui a nada é um autocarro a circular na berma da EN14. Já não vou em promessas. Quero ver para crer.

Artigo de opinião de João Mendes

1ª pagina edição Papel

Siga-nos

Vê-nos no Tik Tok

Farmácia serviço Santo Tirso

Farmácia serviço Famalicão

Pode ler também...